sexta-feira, 11 de abril de 2008

O Processo dos Távora






D. José, Rei de Portugal, apesar de casado com Dona Mariana Vitória de Borbón, princesa espanhola, tinha uma amante, Teresa Leonor, mulher de Luís Bernardo, herdeiro da família de Távora.


Na noite de 3 de Setembro de 1758, D. José I, seguia numa carruagem, para a Ajuda depois de uma noite com a amante, quando sofre uma tentativa de assassinato.


O primeiro-ministro de então, Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal, toma de imediato o controlo da situação, em pouco tempo dois homens são presos e torturados, confessando suas culpas no atentado, sendo que tais ordens, provinham da família dos Távora, que pretendiam pôr o Duque de Aveiro, José Mascarenhas no trono.


Nas semanas que se seguem todos os Távora e respectivos descendentes são encarcerados e acusados de alta traição e de tentativa de regicídio, sendo a sentença a execução de todos incluindo mulheres e crianças.


A execução é levada acabo a 13 de Janeiro de 1759, e mesmo para a época revestiu-se de um cariz extremamente violento e macabro, as canas das mãos e dos pés dos condenados foram partidas e as cabeças decapitadas, os corpos queimados e deitados ao Rio Tejo.


Todos os bens dos Távora foram confiscados pela coroa e o seu nome apagado.


O Palácio do Duque de Aveiro em Belém foi demolido e o terreno salgado para que mais nada ali crescesse.


No local, hoje designado como Beco do Chão Salgado, existe um marco alusivo ao acontecimento.


Na sua base pode-se lêr a seguinte epígrafe:

" Aqui forão as casas arazadas e salgadas de José Mascarenhas Ex Authorado das honras de Duque de Aveiro e condenado por sentença proferida na suprema junta da inconfidencia em 12 de Janeiro de 1758, justiçado como um dos chefes do bárbaro desacato que na noite de 3 de Setembro de 1758 se havia commulado contra a real e sagrada pessoa de El Rey nosso senhor D. José, neste terreno infame se não poderá edificar em tempo algum"

Hoje tal marco encontra-se num beco, precisamente rodeado por inúmeras construções que se foram edificando á sua volta, em terreno outrora maldito, o que prova que a vontade de um homem, dificilmente se pode sobre pôr aos dinâmicos ritmos da História.

domingo, 30 de março de 2008

Mosteiro de Santa Maria de Belém

Mosteiro dos Jerónimos





No ano de 1496, o Rei D. Manuel, pediu à Santa Sé, autorização para a construção de um grande mosteiro à entrada de Lisboa, pedido esse concedido, tendo as obras o seu inicio em 1501 e só terminando quase um século depois, sendo que na sua construção ao longo dos tempos estiveram envolvidos vários arquitectos assim como construtores.


O mosteiro foi dedicado à Virgem de Belém, já que este edifício veio substituir a igreja que invocava Santa Maria de Belém, onde os Monges da Ordem de Cristo, davam assistência aos muitos marinheiros que por ali passavam.

Para ocuparem este mosteiro o Rei D. Manuel, escolheu os Monges da Ordem de S. Jerónimo, tendo estes como principais funções, rezar pela alma do Rei e dar apoio espiritual aos que partiam da Praia do Restelo, à descoberta de novos mundos, sendo aliás a construção deste mosteiro financiada em grande parte pelos lucros do comércio das especiarias.

Por ter sido construído nos bancos de areia do Rio Tejo, a estrutura do mosteiro, não sofreu muitos danos com o terremoto de 1755, mas foi danificada pelas tropas invasoras francesas enviadas por Napoleão Bonaparte no inicio do Século XIX.

Claustro Mosteiro dos Jerónimos Séc. XIX

O que obrigou posteriormente a algumas intervenções arquitectónicas, que embora não tenham alterado a estrutura primitiva, vieram dar-lhe a forma que lhe conhecemos hoje.


Mosteiro dos Jerónimos Finais do Séc XIX



Mosteiro dos Jerónimos Actualmente

O Mosteiro dos Jerónimos é hoje apontado como a "jóia" da Arquitectura Manuelina, integrando elementos arquitectónicos do gótico final e do renascimento, associando-lhe uma simbologia régia e naturalista.

No seu interior para além dos túmulos de El Rey D. Manuel, e seus descendentes, pode-se hoje encontrar no mosteiro os túmulos, do Rei D. João e sua esposa D. Catarina, o de D. Henrique e ainda as caixas tumulares de D. Sebastião, Vasco da Gama e Luiz Vaz de Camões, mais contemporâniamente também no local foram sepultados, Alexandre Herculano e Fernando Pessoa.

O Mosteiro Dos Jerónimos, foi declarado em 1907, como Monumento Nacional e em 1984, classificado " Património Cultural de toda a Humanidade", pela UNESCO.



quinta-feira, 27 de março de 2008

Palácio dos Estaus

O Palácio dos Estaus, situava-se onde hoje se ergue, desde o século XIX, o Teatro D. Maria II.
Mandado construir em 1449, pelo regente D. Pedro, ao longo dos tempos este edifício foi tendo inúmeras funções, primeiramente e tal como o seu nome indica, Estaus ( pensão de forasteiros), foi este grandioso palácio, destinado a receber Embaixadas das Nações e Reis estrangeiros, como Alexandre de Medices ou os embaixadores que prepararam o casamento da futura Imperatriz Isabel com Carlos V.
Foi também no seu interior que se representaram pela primeira vez algumas peças de Gil Vicente.
No Século XVI, as cavalariças do Estaus, albergavam, elefantes, girafas e outras espécies do novo mundo.
O Palácio dos Estaus também foi Sede da Inquisição em Lisboa, Sede de Regência e do Governo Provisório, assim como Câmara dos Pares e até mesmo Intendência Geral da Polícia.
Na sua prisão, muitos ilustres estiveram encarcerados, como Damião de Goís ou Manuel Maria Barbosa du Bocage.
O Palácio, apesar de sofrer alguns danos, sobrevive ao terremoto de 1755, mas infelizmente acaba por sucumbir a um forte incêndio no ano de 1836.

segunda-feira, 17 de março de 2008

HOSPITAL DE TODOS OS SANTOS



Dos dois terços de terreno, que do Rossio ficavam livres do dormitório dos Religiosos de São Domingos, era ocupado pelo Hospital de todos os Santos, a que vulgarmente se chamava de Hospital del Rey, por ter sido mandado edificar por D. João II e finalizado por Dom Manuel.


Este Hospital era considerado na época um dos melhores do mundo, sendo um edifício muito amplo com várias alas, refeitório, enfermaria de homens e mulheres, dependência para loucos e secção de enjeitados.


Pegado ao corpo do hospital estendiam-se dependências para médicos, farmacêuticos e outros funcionários.


Na obra " O Livro das Grandezas de Lisboa", de Frei Nicolau de Oliveira, ficamos a saber que o Hospital foi construído em forma de cruz de quatro braços iguais, sendo que no braço cimeiro se encontrava uma grande igreja, cuja porta principal dava para o Rossio, e para a qual se assedia através de uma enorme escadaria de vinte e um degraus, que em dias de feira se enchiam de vendedores e mendigos.
O Portal da Igreja era magnifico, nos dias de hoje apenas comparável ao portal da entrada do Mosteiro dos Jerónimos.
No braço da cruz que atravessava para o lado direito localizava-se a enfermaria de São Cosme, no braço oposto a enfermaria das mulheres com o nome de Santa Clara, na outra parte a enfermaria de febres designada como a de São Vicente.


Nestas três enfermarias estavam as camas postas em repartimentos dentro de um arco, de modo que fiquem livres os corredores para facilitar a limpeza ( tal como nos nossos dias....).


Para além destas enfermarias principais existiam outras segundarias e também elas todas designadas com nomes de santos.


Nas traseiras o hospital possuía uma grande horta com muita água, na qual se retirava grande parte dos alimentos a serem consumidos na instituição hospitalar.
Sendo a Mesericordia a administradora deste Hospital, ficava portanto à sua responsabilidade, fornecer os oficiais que nele aviam de servir e para que nada falte para a cura e limpeza dos enfermos.
Infelizmente com o terremoto de 1755 o maremoto que se lhe segue e o incêndio que fustigou Lisboa durante seis dias, o Hospital assim como todo o Rossio antigo desapareceu...









domingo, 28 de outubro de 2007

CONVENTO DE SÃO DOMINGOS



O convento de São Domingos em Lisboa, foi fundado em 1242 por D. Sancho II, A Igreja do Convento era um centro de devoção e procissões populares muito queridas pelos Lisboetas, era também de grande devoção dos Reis e príncipes de Avis.

Com o Terremoto de 1755 o convento, o átrio, o tecto da sala do capítulo desabaram, a biblioteca ardeu completamente, na Igreja morreram muitas pessoas, que faziam as suas orações e esperavam a procissão do dia de finados, apenas se salvou a capela-mor da sacristia.

Em 1763, recomeçou as obras de restauro da Igreja e 5 anos depois o Rei D.José dava a antiga fachada da Igreja patriarcal para a Igreja de São Domingos que ainda hoje se conserva.

O Convento de São Domingos foi palco de um dos maiores massacres que á memoria, em 1506, quando os fiéis rezavam pelo fim da seca e da peste que tomavam Portugal, alguém diz ter visto no altar o rosto de Cristo iluminado, um milagre para os católicos presentes, no entanto, um cristão-novo que também participava na missa argumentou que a luz era apenas o reflexo do sol, a partir daí e incitados pelos Frades Dominicanos e ao som de gritos de hereges, os cristãos-novos são perseguidos, homens, mulheres, crianças, foram torturados e queimados vivos em fogueiras improvisadas no Rossio.

A matança durou cerca de 3 dias, na semana santa de 1506, e só acaba quando é morto um judeu que era escudeiro do Rei, e as tropas reais acabam por repor a ordem.

O Rei D. Manuel I penaliza os envolvidos confiscando-lhes os bens e os Dominicanos instigadores são condenados à morte e existem indícios de que o Convento de São Domingos terá sido fechado durante 8 anos.

Entretanto em 1540, O tribunal da dita Santa Inquisição entra em funcionamento, e o largo de São Domingos, que hoje podemos apreciar enquanto se vai degustando a tradicional ginginha, passa a ser palco de inúmeros Autos de Fé.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

ROSSIO ANTES 1755

Em Tempos pré-históricos o vale do Tejo hoje ocupado pelo Rossio e Praça da Figueira foi um esteiro do Tejo onde desaguavam as ribeiras hoje designadas por Ribeira de S.Antão e Arroios.
durante o domínio romano o esteiro estaria já parcialmente assoreado de dimensões mais reduzidas, prova de tal facto os vestígios de um cais encontrado junto á Igreja de S. Domingos, com as obras do metropolitano nesta zona foi possível encontrar uma Necrópole assim como um circo romano.
Com a conquista de Lisboa aos Mouros varias casas religiosas foram-se instalando na cidade surgindo no Rossio em 1492 o Convento de S. Domingos que juntamente com o Hospital de todos os Santos e o Palácio dos Estaus constituíam o conjunto principal de edifícios desta zona.
O Rossio era tal como hoje o largo, o espaço aberto de vivência pública onde muita História e histórias se desenrolaram...
era neste espaço que às 3ªs feiras se fazia a feira onde os Lisboetas, soldados, tripulantes e viajantes das naus, vinham abastecer-se.
Foi o grande palco dos Autos de Fé, sendo que este macabro espectáculo desenrolava-se no adro da Igreja de S. Domingos e no Hospital de todos os Santos, onde as janelas com melhor vista eram alugadas a peso de ouro.
Foi pelo Rossio que um elefante guardado no Palácio dos Estaus, por ordem de D. Manuel, para uma luta com um rinoceronte vindo da Índia, ( o tal que tão bem vimos representado na Expo 98), fugio matando e levando tudo o que lhe surgia pela frente.
Rossio, largo de festas de touros, de espectáculos, das brigas, como aquela que levou Luís Vaz de Camões para a prisão e mais tarde para a Índia por naquele local ter agredido um oficial do reino.
Rossio de ontem e hoje que por vezes se confundem...

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

PECADO DE SODOMIA


A Homossexualidade, então chamada de "Abominável e nefando pecado de sodomia", é referida em Portugal por volta do Séc.XIII, onde diversos homens do povo e da nobreza são referidos como amantes da "Cópula per annum", distinguindo-se desde já dois papéis sexuais: o "activo fodincu" e o "passivo fodidincu".
Carta de Frei Francisco a Frei Mathias de Mattos :( datada de 1690, escritas no Mosteiro dos Jerônimos) :
Meu Coração
Esta tua ausência me tem dado muita pena
Não sejas tirano não me queiras matar de todo,
pois até te dar dois açoites, não me hei de esquecer
Mata-me, meu menino, aqui me tens, ora mete-me
mete-me mais por dentro assim!
Ai jesus que consolo sinto agora!
Saber que me amas muito,
Meu coraçãozinho, dá já os teus braços, aperta mais,
Que gosto tão grande, quem me dera agora estar mamando!
Agora que te vi e me roçaste na parede: que gosto que logrei!
Que delícias, que gostinho tive agora! Ai feitiço!
Adeus Adeus meus olhos
Conclusão:
O Frei Mathias de Mattos numa vil traição a seu amado, e conhecendo que o Santo Ofício costumava perdoar aos sodomitas que tomassem a iniciativa de se auto-delatarem, optou pela infame decisão de entregar esta e outras cartas aos reverendos inquisidores e confessar suas culpas...